quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

EU

Eu
Eu serei como a água que corre entre as pedras
nunca saberei o meu destino
Correrei para o mar
como a estrela corre no céu
e o amor corre nas caricias dos amantes
Será meu o rumo dos pássaros
migrarei como as estações no tempo
farei casulos nas Eras
Terei um filho em cada século
mas nunca um ser humano será meu
,,Anima sola,,, entre labaredas
para sempre serei vitima do pecado original
conjurando espíritos e demónios
.Ignorante gerarei ignorância.
Mulher no meu ir de hoje violarei pactos e conceitos
,,sujeita a tudo,, tudo limparei de mim
e aquele que me quiser mal
terá consigo todas as minhas dores e as suas
alcançando-se depois de me alcançar
pois sou a água que corre entre as pedras
e não sei qual o meu destino
mas passarei nas águas do mar

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O SONHO

O sonho
O deserto faz -me sonhar com enormes dunas incandescentes!
Com fogos fàtuos!
Com tempestades de areia! 
Tempestades de fogo!
Faíscas brilhantes nadas nos grãos do deserto !
Poros abertos de gentes escuras secas de água
com rugas fundas expressivas...
como as secas rugas do
pão..
como as rugas secas e nuas da areia
crestadas pelo Sol
O Sol implacável do deserto.
onde o sonho é apenas miragem..
Onde cabem as letras do meu nome
Cato ..
flor do deserto!
Flor que guarda a água!
Deserto faz -me sonhar com espinhos e com calor
E com amantes revoltos na areia.
Gemendo de amor

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

AS SOMBRAS

As sombras
as sombras ensandecem
as sombras jogam
descalças melificas e altivas
o seu poder é ilimitado
geram silêncios de prazer
incontornáveis
são infinitamente puras
roubam-me os sentidos
sinto-as nos pulsos
nos lábios
na língua
Em actos medievais
os pedidos são ordens
são sombras
não se reflectem
escorrem na agua
moldam-se
tornam húmidos os poros
destroem os medos
e amedrontam
atraem como um abismo
o circulo fecha-se em anéis de fogo
Deixei de ter sombra
sou sombra

Margarida Cimbolini

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O BREU

O breu
era simultaneamente o punhal e o golpe
contido na pele estava seu acre perfume
Os seus passos diziam o meu nome
Vinha do escuro ele era o escuro 
A minha alma pingava claridade
uma claridade tão imparável como as marés
Só o amor cura às fraturas da alma..
E era amor essa claridade sem barreiras
no chão cresciam gotas de mel
a inundaram de calor o caminho de neve
Sem medo e sem frio mergulhei no amor.

PÃO

Pão
a poesia sinto-a em sépia
separo com cuidado a sua cor
lavo -a na boca
lambendo -a como
cadela que lambe a sua cria
quisera guarda -la no útero
arrepia -me sentir -me
frágil demais
e mesmo assim exagerada
pastoreio cada palavra
invento sinónimos
rasgo as fábulas
calco as serpentes
sibilinas e pérfidas
que me roubam o som
...que amo
ninguém nem a mentira
pode chamá.lá verdade
sem a ter trincado
e trincar este trinco
sem chave
tarefa de titãs
não se aprende
e nunca se sabé...

ENTRE SER

entre ser
entre ser coisa de nada
pé torto
corpo coberto de pele
corpo nu de toda a coisa
olhos piscos ignorantes
apanhando pirilampos
correr no caminho do outro
e bater a mão suada
todo o tempo em testa amarga
remoendo maldições
palma aqui palma ali
merda de coisa plana
sem fonte sem monte sem rama
vivendo a aplaudir
sem deitar o seixo ao rio
sem ser corda e sem ser fio
colando os cacos dos terços
colando os cacos dos versos
entre ser um pedaço
de ser a boiar á tona
entre ser coisa de nada
fazer parte da manada
antes d,isso quero ser eu
ser esta alma sofrendo
ser este corpo doendo
ser esta rota esta estrada
este caminho ermo e escuro onde sendo
................................................não sou nada..

SEMEIA ROSAS

semeia rosas
semeia rosas...não espinhos
menina de faces despidas
pois se rosas tu cultivas
se as tens no coração
o amor é teu padrinho
retira de ti tal negrura
tua mãe é a ternura
teu destino ser paixão
com penas fazes o ninho
teces rendas e brocados
e branca de neve pura
. é essa tua brandura.
semeia rosas não espinhos
nessa cama onde te deitas
.
não a tornes negra nem dura
quem espinhos semeia
.menina de faces despidas.
cedo ou tarde neles se deita
deixa teu rosto na alvura
que dentro de ti se espreita
.menina de faces nuas.
veste-.as hoje de luar
de faces nuas ao Sol
nem ele as consegue crestar
.não são teus esses espinhos.
tu tens rosas de toucar
semeia no teu caminho
.....o amor a caminhar.....
a cor que te luz nos olhos
esse coração de carinho
a música que ouves dentro
e que te deixa sonhar...
meninas de faces nuas,,,
,,,,os espinhos que os semeie
........quem neles se for magoar.....

A SUL

A sul
A Sul das minhas mãos encontro ocidentes
Universos de metáforas
Olhares mansos,,,tão serenos..
Nem a avidez dos desejos....nem a crueldade do poeta
Nem o sussurro do mar..conseguem penetrar
,,,esta linha recta
E encontra -se o olhar
Nas retinas fulgem as lutas as ânsias os sonhos
Cantam as noites em madrugadas
Cavam-se eternas olheiras
São mitos e sereias
São ondinas musos e escravas
As tagides de outras eras
Os mundos
As vidas
As longas esperas
São os eus mascarados de emoções
Somos nós os filhos de Camões
São as essências retiradas das pedras
,,,,que encontro a Sul das minhas mãos...
É enterro nesta terra que ,,,tinto de vermelho
Toda minha fragilidade que estendo ao Sol..
,,,como mísero escaravelho...

MARIA BRUMA (em jeito de canção)

Maria Bruma (em jeito de canção )
ai Maria Bruma
que escondes além ?
escondes-te na penumbra
escondeste de quem ?
a Bruma és tu
a Bruma te tem
oh Bruma Maria..
não escondas também
....a tua alegria
uma moura princesa
te espera na bruma
ai Maria Bruma
não há moura nenhuma!
a Maria Bruma vestiu-se de verde
e nasceu o dia
Vi um pintarroxo na tua janela
ai Bruma Maria,,,
não te debruces nela !
a Maria Bruma vestiu-se de azul
e nasceu a noite
e a moura princesa acendeu a vela
e nasceu a noite e o negro com ela
oh Maria Bruma.
que vês tu além?
vejo o Sol doirado e a ti também
a Maria Bruma vestiu-se de ouro
e o Sol d,ourou-o
Há sombra da terra a Maria Bruma
achou um tesouro
e espadas voaram e parou a guerra !
oh Maria Bruma..tu já és velhinha...
disse-lhe um besouro...e soltou-se a neblina..
foi embora a bruma...
a Maria Bruma levou nevoeiro
E os homens disseram é um aguaceiro.
....

QUISERA

quisera
quisera um olhar poisado no meu
tão manso e nobre
que mansa e nobre fosse eu
quisera uma mão na minha
dedos de água e de mel
tão suaves e tão doces
que me tirassem o fel
e uma alma branca e linda
altiva e liberta
que me contivesse nela
e a meu lado paralela
me conduzisse como o mar conduz a caravela

VEM

vem
eleva-me tão...tão docemente
como se d,uma pena se tratasse
e faz de mim pingo fulgente
de um amor ou de uma arte
vem... tu que a mim te prometes
em sonhos presságios de amor
solta teus olhos a Oeste
de longe sentirás este ardor
nem princesa nem sereia
nem rainha nem coros ou esplendor
ouvirás uma alma plebeia
e um chamamento ou uma dor
sou eu que te chamo baixinho
e trago no corpo calor
serei para ti rosmaninho
e hás-de sentir meu odor
estarei no luar de Dezembro
de arco e flecha na mão
espero madrugada dentro
para ouvir teu coração
Margarida Cimbolini

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

LAMENTO

lamento
por muito que ouça o vento
que escute o lamento do mar
maior é este lamento
que faço este coração guardar
vida porque me queres viva
se estou farta de viver
já estou a caminho da ida
mas a vida não quer saber !
a solidão entontece
e no meio de tanta gente
coitado de quem padece
da tortura desta mente
estou cansada de buscar
estou cansada de não ter
e eu que não quero amar
sem amor não sei viver
acho perdidos os dias
não enxergo o amanhã
numa destas manhãs frias
serei bago de romã
semente das noites que amo
sou ave na galho a poisar
há-de partir-se este ramo
estou cansada de buscar...

ENTRE SER

entre ser
entre ser coisa de nada
pé torto
corpo coberto de pele
corpo nu de toda a coisa
olhos piscos ignorantes
apanhando pirilampos
correr no caminho do outro
e bater a mão suada
todo o tempo em testa amarga
remoendo maldições
palma aqui palma ali
merda de coisa plana
sem fonte sem monte sem rama
vivendo a aplaudir
sem deitar o seixo ao rio
sem ser corda e sem ser fio
colando os cacos dos terços
colando os cacos dos versos
entre ser um pedaço
de ser a boiar á tona
entre ser coisa de nada
fazer parte da manada
antes d,isso quero ser eu
ser esta alma sofrendo
ser este corpo doendo
ser esta rota esta estrada
este caminho ermo e escuro onde sendo
................................................não sou nada..

PORQUÊ

porquê
sou mulher pelos pés ,pelas mãos,pelo meu coração de carne
pelo estômago cujos nós me aproximam da putrefacção da vida
escrevo com palavras,mas não se trata de palavras
. trata-se da duração do espírito.
quando me abano sinto essa crosta das palavras a cair
.mas não se imagine que a alma não está aí implicada.
ao lado do espírito há a vida...há o ser humano onde..
.....o espírito ..volteia....
as violentações com as palavras não são físicas
são flechas agudas e violentas como espadas
palavras ditas pela língua...
ou estará a língua privada de alma ?
e o espírito de língua..
não ......ou traçaria essa ruptura ......
....na planície dos sentidos um vasto sulco de desespero.
há que abandonar esse lampejo errante que se sente...
e que se torna um abismo...um abismo que nos separa do mundo
e esse sentimento de inutilidade tão grande que é o nó da morte..
será escusado dizerem-me que essa armadilha reside em mim
,,eu participo na vida,,represento a fatalidade que me elege e não...
não é possível que toda a vida do mundo me tome como ela
já que por sua própria natureza ela ...critica ,mordaz,,,,destrutiva
ameaça o princípio da vida.....
Assim o caminho é meu...deixem que viva a minha vida...

PESSOAS

Pessoas
Pessoas que em mim tocam
e que ficam
fazem parte de mim
tatuadas no meu coração
tantas vezes por elas
morri
egocêntricas memórias
que me beijam e me flagelam
por minhas mãos teço silícios
marcas indeléveis dentro de mim
romarias de eus
que tem morada aqui
nesta frágil existência
onde...cansada me anulo
fecho portas e janelas
mas como impedir a entrada
a quem vive dentro delas!

RESPOSTA

resposta
respondo a esse Sol
que tenta desnudar-me
pondo nos meus poros
a claridade do dia
recolho em mim
.essa outra luz .
que dentro me alumia
rogo a graça desse íntimo
.perfeito fulgor.
onde mergulho de olhos fechados
de onde saio cheia de amor
quero essa música sem som
esse sabor nunca olvidado
esse vai-vem tão suave
que torna o meu voo
ainda mais alto que o da ave
e ser assim tão pequenina
humilde serva da claridade
consiga eu ser palha fina
a passar na luz da eternidade

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A BARCA

a barca
barca fulgente
bárbara barca
lagoa no mar ancorada
onde tudo cabe 
mal e bem marmoreados
turbilhões da humanidade
insanas fontes de cuja foz
brotam ninfas de almas nuas
clarões de fantásticas paixões
.infernos vis.
ou céus nunca antes inventados
tela de tambores ,preces, orações
pincéis vindos da eternidade
pintam com arte e com garra
a mais bela das telas desgraçada
por deuses dos infernos inspirada
barca de Dante
barca de infante afogada em emoções
temo por mim quando te vejo
quando em mim reconheço
o teu desejo
quando em mim te sinto mal desperta
e todo o meu corpo estremece
e meu coração se aperta
pois em mim sinto a tua infame beleza
e em mim revejo toda ,,,a do mundo,,,
toda a fealdade e incerteza
Margarida Cimbolini
A barca de Dante, de Eugène Delacroix, óleo sobre tela, 189 x 242 cm, 1822, Museu do Louvre

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

VAREANDO

vareando
deixo que o olhar se afunde
na tranquilidade das águas
é um olhar pesado e verde
.porque estará o mar tão tranquilo.
gosto quando a sua alma gesticula e geme
tirando pedaços ás rochas
roubando vidas que a ele se entregam
em reminiscências tão antigas
que as temo
conheço as aguas profundas tremendamente verdes
desse mar que agora se espraia no azul da calmaria
amo os seus profundos e viscosos verdes
feitos de grutas tão sem mistério como pequenos ninhos
onde estará a alma ,em que gruta ou âmago desconhecido
se anicha a alma desse oceano caprichoso e insolente
capaz de agitar a terra desfazendo-a em estilhaços
.sei que o faz por amor..
.porque outra razão o faria.
ou será a ardente lava que esconde debaixo do seu arenoso leito
que me faz medo.
miro mais uma vez a quietude desse mar mentiroso e cruel
encontro nele o espelho que procuro
quando em lacunas de lucidez anseio por mim
fervendo de emoções ,,tombando em desejos que não controlo
em chamas que não ateio
peregrina me torno desses caminhos
será nesses labirintos de corais e esferas
será aí nos covões de Neptuno
onde não penetra a luz do dia que encontrarei a minha luz...

BURRA

se calhar sou burra
se calhar é a morte que fica
e a vida que passa
se calhar viver é complicado
e morrer é muito simples
se calhar a alma é eterna
e a dúvida também
se calhar eu sei mas não sei
por isso sofro
se calhar eu brinco com as palavras
porque elas brincam comigo
e tenho a ilusão de que Deus omnipotente
está a ver o que eu faço e leva-me ao colo
se calhar sou que carrego ao colo um Deus pesado
Burra atravesso o rio com a minha carga de sal
e na outra margem fico sentada porque me doem as costas
Quando o sal se dissolve agradeço o milagre
se calhar vivo num deserto cheio de oásis
e estou sempre á procura de um camelo que me leve ao colo
.se calhar sou burra.

DANÇA

dança
dança comigo Maria,,
Joana tu perdida na vida
tu achada no beco
tu deitada na cama
suando no chão
tu pintando a pincel
esse ponto cruz
ou ponteando as meias
ou comendo feijão
ou Bemvinda de nome e sem coração
dança comigo Manel ,Artur ,joão
traz a canela tempera com açafrão
dança comigo pé no pé ,pé de irmão
queres liberdade ,,,dança comigo
e verás que não....
dança comigo minha voz de mel
meu cheiro de alecrim
meu doce corcel
minha mão de trigo
.de foice afiada.,
vem dançar comigo aí pela estrada.....

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

VIDEO DAS CARTAS DE AMOR

APRESENTAÇÃO DO LIVRO ,,CARTAS  DE AMOR,,

ANTIGAMENTE

ANTIGAMENTE
Cartas de amor...quem as não tem...e era assim ! as pessoas antigamente
escreviam cartas ,postais enfim escreviam.....pegavam numa folha de papel
e escreviam ...melhor ou pior cada um punha no papel o seu sentir..dobravam muito bem a sua folhinha punham no subscrito e enviavam !
E que magia enorme tinham essas cartas de amor ou de saudade ,um simples trocar de ideias ...................... uma forma por certo inteligente de comunicar................quantas noivas ficavam esperando as cartas dos seus amados....quantas mães sonhavam com a missiva do seu filho.
A carta vivia semeava risos soltava uma lágrima ....tinha cheiro...tinha textura levava o selo do amor ,do desalento ou da raiva crescia nas palavras ..tomava forma ..ganhava dimensão...era importante as palavras fendiam o papel em cascatas...em dilúvio de sentimentos .Cada carta continha a poesia da intimidade de cada um que através do papel se revelava ao outro.
Inúmeras as cartas que se tornaram célebres como verdadeiras obras de arte....todos os poetas escreveram e receberam cartas....todos nós já sentimos o prazer a magia de uma carta...mesmo assim deixá-mos isso....poucos hoje em dia se dão ao trabalho de escrever uma carta a alguém.....
Pois então amigos porque não experimentam escrever uma carta de amor de amizade ou simplesmente de carinho alguém...
E se não tiverem a quem escrever escrevam a vocês próprios......escrevam...escrevam e escrevam até que os dedos vos doam...e que nada vos diga o que escrever....
Neste pequeno e despretensioso livrinho a que chamei ,,Cartas de Amor,,eu compilei cinquenta dessas descargas de alma a que chamei cartas .........
Façam-me o favor de as ler e de escrever pelo menos uma carta a alguém até ao dia 3 de Dezembro....data em que vou expor todo o livro aqui no meu mural para aqueles que tiverem a paciência de o ler.....Escrevam amigos..vale a pena..
Margarida Cimbolini

CORPO MEU

corpo meu
neste meu corpo semeio ameias
semeio historias... tardes de luar
onde a lua cheia se esconde
só para me beijar
no meu corpo dorso
dorso de longo corpo deitado
entre o céu
e as fornalhas do mal
eu guardo pecados de amor salteados
entre o meu ser desigual
conto mil corpos no corpo
pesados cansados cheios de sal
conto tridentes brilhantes pingentes
e uma luz eterna e irreal
quando saio do corpo
corpo sem dorso e sem animal
então eu olho o meu corpo
nem vivo nem morto
só corpo
carne corpo sangue corpo
corpo com bocas abertas
que sangram
buracos que expelem mucos
cabelos. dentes. unhas. ossos com ossos.
e quero outro corpo
carcaça nova e bela mas igual
pois corpo é corpo
come ...bebe ...sua..nasce cresce mingua
morre e cheira mal

HABÍTO

Habito
Nas manhãs frescas
nascidas nas pontas do luar
Nas manhãs lavadas
pelas chuvas de Novembro
Venho das noites
Filha das trevas irmã da lua
Piso descalça as folhas da terra
Tremo da luz destas manhãs
Crua é esta luz
. piscam.
os meus olhos assustados
Assim me obrigo ao dia! Saí agora do ventre da
vida
sossobro nesta claridade sem véus
, velarei .
A noite virá por mim!
Margarida Cimbolini

INCENDEIO

Incendeio
as matas verdes e floridas
pranteio os meus prantos
procuro nos recantos
essa terra tão prometida
e prantos encontro
sem ouvir a voz da vida
cansada está a alma
das papoulas cor de sangue
o mar enche -se de nuvens
no céu o azul esmorece
e em mim chovem presságios
de poetas amados
de versos em postigos
de sombras de angústias antigas
,de teias.. de tempos
que a terra tece
das mil e vãs quimeras
em que o coração padece
Margarida Cimbolini

ÉA HORA

É a hora
Um sorriso no ar
Um vento a soprar
Menos que vento 
uma brisa a levantar
Um raio de Sol
já raiado de luar...
Em Lisboa uma andorinha
............ voa mais alto
e nas ruas um rumor
um rumor de sobressalto
Portugal o meu país..
tem a bandeira hasteada
e foi dizer ao mar alto
que outra vida começava!
Vi um cravo e uma rosa
a dançar no meu Jardim
E quem por ali.passava
sentia um cheiro a jasmim!
Outrora dançou um cravo ......
...........e dançou a liberdade!
Que começe vida nova
meu Portugal de verdade!

PESSOAS

Pessoas
Pessoas que em mim tocam
e que ficam
fazem parte de mim
tatuadas no meu coração
tantas vezes por elas
morri
egocêntricas memórias
que me beijam e me flagelam
por minhas mãos teço silícios
marcas indeléveis dentro de mim
romarias de eus
que tem morada aqui
nesta frágil existência
onde...cansada me anulo
fecho portas e janelas
mas como impedir a entrada
a quem vive dentro delas!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ALÉM

além dos meus olhos
tudo
mundos, universos de ilusão
gentes ,espíritos ,mentes
tantos que não lhes sei a dimensão
mares ,marés,marinheiros e maresias
tudo o que é humanidade
além dos meus olhos
.minhas fantasias.
a guerra,a fome a escuridão
o amor ,o ódio ,a amizade
e para além disso
tantas crenças, religiões, feitiços ,magias
além dos meus olhos
planícies ,montes .verdes de prazer
o sol ,a lua,astros desconhecidos, criações
e países ,cidades vilas e aldeias...
multidões gente que morre, gente a nascer
e o amor... fecundo ,,,,,força da alma
além dos meus olhos
tudo
a alma ,o coração o sentido de viver
além destes meus olhos..... por mim, por cada um..
por ti ,por todos vejo duas grossas lágrimas a correr....

BARCA BELA

barca bela
um anjo vai nela
um anjo mais eu
o vento a leva
o mar nela encerra
os segredos meus
barca bela
não queiras amarras
voarás tendo asas
num sonho de deus
faz-te ao mar
ao mar alto
num ressalto
o mar será teu
vou contigo
penas de anjo são desejos
de subir até ao ceú
barca bela nem ancora nem remo
...........tu. ...o mar e eu a onda enrola um beijo terno...

CHAMA-ME

chama.me e lê-me poesia
não me fales dos actos
nem dos artefactos
do estado do governo
de como vai o mundo
das tuas dores
dos nossos amores
nem de cantorias
chama-me e lê-me poesia
daí vem todo o meu sustento
d,isso me alimento
diz-me essa toada antiga
que recitas como a vida
dá-me essa emoção primeira
a única mais viva que eu
que me enobrece e me torna felina
onde sou mulher e rainha e serva
e me faz suster o fôlego
de onde me cai o pão a paz e o sossego
que me embriaga e me tira o medo
chama-me e diz-me poesia
só ...musical e cantante viva inusitada errada e errante
sitio amado e amante onde lobrigo
esses poetas que viveram como setas
seres de almas brilhantes
que vivem em mim
e de longe me crivam de flechas
meu amor ,,,,meu amigo chama-me e lê-me poesia...

IR

Ir
Ir para longe de mim
não ser isto
ou aquilo
Ser o que sou enfim
,,,,sem impossíveis
,,,,,,sem pensamento
Fluir como o vento
Ser talvez água em fonte
Lago em movimento
Esquecer por um segundo o momento..
Lamento e não sei o que lamento
Quero apenas...nem tento
Busco errado sustento
Nesta frágil forma de vida
Tímida perante o mal
Calada estátua de sal
Mergulho neste poço lento e sujo
Onde não pertenço...
Serei ave doutro mundo
Ilusão ou realidade
É assim me atormento e confundo
É me escondo assustada,,,,,,louca de fragilidade...

fins de OUTONO

Fins de Outono 
Outono quente e seco..
O meu voo é baixo
O corpo geme baixinho
Vidas passadas regorgitam
Estalam as articulações
Folhas secas pedem amor
As palavras queimam
São por vezes tão vãs
Está a candeia cansada
Está o azeite gasto..
Tenho saudades da lua
O mar não me responde
Os cucos escondem se de mim
Avista -se o fim do ano
O Natal já chama as memórias..
Tempestade levaria as mágoas mortas
Mas reina a calmaria!
Onde estão as papoulas?
Já não há papoulas e os trevos tem folhas a mais.....
Margarida Cimbolini

SER

ser
.a alegria e a dor são constantes.
nesta ponte entre o finito e o infinito
a que chamo ser
.eu sou a variável...
é essa a minha condição e através dela
me ligo a essa ponte em que tenho de ir ao fundo
.impossível sair a meio.
.agora é o momento.
. no agora tenho Paz.
do agora extraio essa estranha plenitude onde sou
o futuro no momento de agora
só me garante a respiração
através dela sou antes e depois
no intransponível agora
o agora faz-me sofrer
quero apanhá lo apalpá-lo comê-lo
atrás de mim vem o passado
garras afiadas e estendidas
raiva enorme mágoa disforme
.além está o que não existe .
.o futuro onde já quero prever alegria e dor..
.mal aguento esta fragilidade .
a que posso chamar medo
ilusão gananciosa de gente
é afinal isto a mente..

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A NOIVA

a noiva
não ia triste nem alegre
nem bonita nem feia
serena conformada composta e vaga
olhos negros sem fulgor
grossa sobrancelha virgem
a boca não violada não sorria
..........guardava............
pele morena cheia de sol tisnada
robusta ,corpo de campo e de serra
consigo a terra levava
pobre da noiva ramo de urze orvalhada
do amor sabia pouco
.o campo esses verdes desiguais.
via o amor nos animais ,quando o cio chegava
a vaca ia ao boi....
o galo cantava,a noiva rolava na palha
do amor sabia que na vida procriava
e por ali estava de corpo frio o olhar vago
e nem um pensamento,,,,um porquê..
.era a vida nascera ,e agora casava.
teria filhos,teria aquele homem na cama na mesa
.paria ,lavava, cosia ,seria coisa dada
e nem uma chama acesa......casava.....
.....noiva de nada.....
cerrou mais o cenho, olhou o padre ..
o noivo desconhecido ia.... andava também parado
casamento do diabo,,,,castrado,nem uma lágrima..
cenário surreal era o pai que a entregava.....
casou a noiva,,,correu a vida nasceram filhos....
já o homem lento marrava...........
morreu a noiva.....mãe ...mulher...avó tanto e nada..
e na igreja o mesmo sino tocava......

GUERRA

guerra -------
-------------------------------------- 15-11 2015
dias tristes
pesados de más novas
pasto de chamas
e o sono
dormir
esconder a cabeça nas mãos
o sangue
lágrimas almas há solta
desordenadas
procuram caminho
a terra aberta ,peitos abertos
no solo
a morte....multidão na morte
todos são enorme singular
a todos chega ocupa o seu espaço
instala-se
vem de repente sem sinais
sinal sempre aberto
a torre que tomba nas profecias
e dói
os eus baralhados gritam nomes
memórias surgem
é a guerra
a guerra de quem já não vive
fanáticos objectivos comem corpos
e o sono
cala a poesia
a compaixão vence
. a grande vala aberta.
vai desvanecer-se
mas a alma memória indelével da fé será procura até há LUZ.

IR

Ir
Ir para longe de mim
não ser isto
ou aquilo
Ser o que sou enfim
,,,,sem impossíveis
,,,,,,sem pensamento
Fluir como o vento
Ser talvez água em fonte
Lago em movimento
Esquecer por um segundo o momento..
Lamento e não sei o que lamento
Quero apenas...nem tento
Busco errado sustento
Nesta frágil forma de vida
Tímida perante o mal
Calada estátua de sal
Mergulho neste poço lento e sujo
Onde não pertenço...
Serei ave doutro mundo
Ilusão ou realidade
É assim me atormento e confundo
É me escondo assustada,,,,,,louca de fragilidade...

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

HAICAI

Diamante caído no rio
É apenas vidro
Com muita sede
Margarida Cimbolini

SALVÉ PHILIP

Salvé Phillipe
Sim meu amor
também tu eras do mar
farias hoje 60 '?
as datas.... grande hiato
ou pequeno hiato
fomos sempre esse hiato
.somos ainda hiato.
sob o teu olhar vivia o mar
sob o meu vivia a maresia
qual de nós mais o amaria
qual de nós mais se amaria
Qual a dimensão do tempo
das horas dos meses dos dias
Fostes no nevoeiro da brisa ligeira
mas qualquer vento te levaria....
querias ir....era tempo ...seria ?
Meu poeta... sem poesia..
maior poesia que o amor
na luz... na música .....na paz
que experimentá-mos um dia
Mais um hiato na vida
a nossa respiração nesse dia !.
Foste poeta.... eras poesia
como tu ela é eterna
como tu ela tem corpo
vive na linha mais bamba e mais recta...
a linha da real fantasia
com ela te presenteio neste hiato
em que faz tempo foi teu dia....
Naquele tempo acho que nada temias
só a vida.... pois pra viver morrias.
Tinhas os olhos abertos... verdes
e as longas veias quais canais
negras veias tão breves que mal as vias..
dementes veias que tu serzias
......ainda te amei mais.....
...... Amei-te muito..com um amor que se comia.....
.............não....não te perdi........
......................... Tive uma vida de ti......
Salvé meu amor !
guardei tudo ..nada esqueci..!
Agora tenho versos meu amor
....e hoje eu e o mar canta-mos para ti.
(dedicado a Phillipe Cimbolini,faria hoje 60 anos)

A PEGA E O SEMEADOR

a pega e o semeador
a pega seguia o brilho
corria atrás da estrela
.
.surripiava em sonho o brilho dela.
o semeador semeava brilho
conhecia bem as pegas
galgou-lhe no trilho
ela em cima pega e negra
ele por baixo erecto de falo
roído de raiva
seguia o meneio
.salivando.
o diabo escarpava
praguejando
a estrela em refulgência
airosa
vinha em olfacto de rosa
,a pega sorria..
de negra era a pega jeitosa
queria o brilho da estrela
e o semeador já nada via
era a pega dengosa
.a estrela brilhava vitoriosa.
na terra tudo enlanguescia
a carne fogosa
e enquanto o semeador sofria
engolia o brilho do seu falo em riste
na sombra das asas da pega negra
.a pega num despiste roubou o brilho há estrela.
e brilhante e negra riu de se sentir alada e pega.....
e sentiu o odor da rosa..