domingo, 7 de fevereiro de 2016

A ALMA

a alma
entro e saio dos pensamentos
entro mais depressa do que saio
especialmente se for um pensamento doloroso
gosto de me sentir mártir
há uma parte de mim que vive d,isso
rebola-se na cama e nos sofás quase sensual
outra essa que eu sou sem ser realmente alguma coisa
revolta-se e inquieta-se nesse marasmo
essa é escrava das horas do dia e da noite
também não a quero..
há muito que não lhe obedeço
mas também me usa para sofrer
depois tenho outras dentro de mim
a alma ...essa raramente a penetro..
é muito difícil sair...
posso sobrevoá-la..faço-o com medo..
assusta-me sentir-me tão frágil
e preferia não ter esta escolha constante
já não aguento as escolhas
o corpo atrapalha -me é nele que escorrego
e não quero pensar nisso
estou portanto há mercê de tudo e de todos
frágil como um caniço ...dura como uma rocha
estúpida e grosseira que nem calhau
e ainda me perguntam porque sorrio tão pouco...