segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ENDECHAS A LISBOA

ENDECHAS A LISBOA - Poema de Margarida Cimbolini
pé ante pé
escutando o som dos meus passos
passo
colho uma rosa desfolhada
pétalas laceradas de espinhos
transformam em estrelas
as pedras onde passo
pés nus nas pedras de Lisboa…
refaço a calçada
passo a passo sou a Madragoa…
nas sardinheiras me desfaço
Corro.. corro por Lisboa..
Flores de lis me tombam no regaço
Tombo em Alfama
E roubo-lhe o compasso
minha Lisboa…
conheces…
…ainda os meus passos…
Ergues-me muros
Estendes-me jardins..
Olha uma estrela do mar!
no tejo a boiar…
dás-me o teu rio
onde eu sonho marés..
constelações
que me dás…
..tapetes par os meus pés..
Na Mouraria no grito da rua!
onde coalhas luar
roubas-me os vestidos
para que os teça de novo
dás-me o teu tear
Respiro a minha cidade
o lugar onde nasci
antiga doce e amarga
minha barca de fé
e passo a passo
deixo no chão a pegada do meu pé
e vou guardando o caminho
não vá perder-me no cais
ou subir como uma moura…
nas ruas do Cais do Sodré