ENDECHAS A LISBOA - Poema de Margarida Cimbolini
pé ante pé
escutando o som dos meus passos
passo
escutando o som dos meus passos
passo
colho uma rosa desfolhada
pétalas laceradas de espinhos
transformam em estrelas
as pedras onde passo
pétalas laceradas de espinhos
transformam em estrelas
as pedras onde passo
pés nus nas pedras de Lisboa…
refaço a calçada
passo a passo sou a Madragoa…
nas sardinheiras me desfaço
refaço a calçada
passo a passo sou a Madragoa…
nas sardinheiras me desfaço
Corro.. corro por Lisboa..
Flores de lis me tombam no regaço
Tombo em Alfama
E roubo-lhe o compasso
Flores de lis me tombam no regaço
Tombo em Alfama
E roubo-lhe o compasso
minha Lisboa…
conheces…
…ainda os meus passos…
Ergues-me muros
Estendes-me jardins..
conheces…
…ainda os meus passos…
Ergues-me muros
Estendes-me jardins..
Olha uma estrela do mar!
no tejo a boiar…
dás-me o teu rio
onde eu sonho marés..
constelações
que me dás…
..tapetes par os meus pés..
no tejo a boiar…
dás-me o teu rio
onde eu sonho marés..
constelações
que me dás…
..tapetes par os meus pés..
Na Mouraria no grito da rua!
onde coalhas luar
roubas-me os vestidos
para que os teça de novo
dás-me o teu tear
onde coalhas luar
roubas-me os vestidos
para que os teça de novo
dás-me o teu tear
Respiro a minha cidade
o lugar onde nasci
antiga doce e amarga
minha barca de fé
o lugar onde nasci
antiga doce e amarga
minha barca de fé
e passo a passo
deixo no chão a pegada do meu pé
e vou guardando o caminho
não vá perder-me no cais
ou subir como uma moura…
nas ruas do Cais do Sodré
deixo no chão a pegada do meu pé
e vou guardando o caminho
não vá perder-me no cais
ou subir como uma moura…
nas ruas do Cais do Sodré