segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VER

ver
ele via
e o ver é uma cegueira
aquele que vê se enrodilha
numa grande e bela teia
e ele via
via olhos negros de pranto
e céus de estrelas e sóis
via a terra onde pisada
e os sítios onde andava
via o que lá estava
e o que no ar pairava
e o ver é uma cegueira
quem dera a muitos não ver
a ver daquela maneira
ás vezes fechava os olhos
na esperança de não ver nada
e via dentro de si
um mundo onde não chegava
ver ás vezes é penoso
que me perdoem os cegos
que os meus olhos tenham vida
até o meu corpo morrer
mas que aqueles que olham
e nada parecem ver
tenham respeito por quem
vê o que não quer ver