terça-feira, 22 de novembro de 2016

MÃE

mãe
de cara fechada
quase sempre..
olhando o chão
não
mãe
eu era rosa em botão
alma branca
na farda branca da escola
não
mãe
eu era lírio de beijos
apenas desabrochado
era lágrima de chuva
pão alvo
trigo exposto
pessoas em tinto mosto
sol que nunca foi posto
máscaras verdes de inveja
não
mãe
eu era flor do campo
rebelde erva daninha
tímida purpurina
brilhante jóia de ser
marionetas
cordas...nós em lenços
de seda escura
janelas abertas no pranto
plantas murchas de sede
olhares agudos ...secura
não
mãe
eu era tudo isso..
e tu que nunca deste por isso
quem eras tu ..
arte Aida de Sousa Dias