quinta-feira, 30 de março de 2017

sequelas

são sequelas
posso habitar nelas
devagar
primeiro fio é o amor
devagar
posso pegar elas e beijar

fala-me de amor

Fala.me de amor
Não sabes !!
Mas já infinitamente
foi o amor falado
e tu não sabes !!?
Clareia o azul no céu
O mar está marmoreado
O ar esta frio
Breve estará gelado !
E um beija-flor..
passou ao meu lado !
voando alegre e alado !
Da romã o bago ruivo perfuma o meu
lábio....
e em cada beijo meu
está o seu bago
O sol a lua a estrela d'alva a mais pequena flor
come bebe vive
nasce cresce e morre
por amor
E tu não sabes!!!
Eu sinto amor
dentro de mim vivo
fero rasgado....
Preciso dele pra comer pra viver
morro de sede
sem o ter
socumbo em abismos de dor de solidão
o amor é pra mim vida e pão
E tu não sabes !!!!
Perdão....
Mas um só beijo meu um só dos que dei.
....foi pecado...
Margarida Cimbolini

SINTO

Sinto
Sinto o olhar da pedra
.... que o pé pontapeia
... sinto o seu lamento
a pedra também pranteia !
E no búzio onde ouço o mar
sinto o sabor salgado
orgasmo da maré cheia...
a levar.me no seu brado !
Sinto o clamor da terra
tremendo dentro de mim
como um sismo de luar
sem princípio e sem fim....
Ergo então preces ao céu
em labaredas..em chama
dentro tenho um vulcão ...
e uma alma que ama...
Frágil ..
....sou borboleta
senhora de vida breve..
...
...apaixonada do ar...
onde a respiração ferve.
....
Quero muito poder voar !
serei eu
... a libelula tonta
rodando há volta da luz.
....
as asas quase a queimar e mesmo assim
não repesa
..
... volta e torna a tentar....
repassada de beleza..
e a aranha na teia
e o barco a naufagrar
e nos olhos de Maria
os restos do meu altar..
Sinto tanto e nada é meu
nem o sorriso do mar...
A minha estrela é um espelho
que uma sereia me deu
num outro fundo de mar
quando a olho ....
retinas soltas...
Sinto estas pálpebras rotas
a esconder de mim casulos
que me fazem deleitar..
Sinto tanto a vida minha !
febril nas veias de sangue
hoje Sol amanhã breu...
Que venha bater.me à porta quem sinta o mesmo que eu !

MAS

mas
nos meus olhos nublados
as nuvens vieram pernoitar
guardo neles casulos
de chuva
onde as pestanas matam a sede
preciso dos teus beijos
tal é a fome
que me puseste nos lábios
mas....os mas...enrolam-se nas gotas
que me enchem os poros de mel
e dizem-me que não
sou a vespa e a colmeia .....
....talvez a cambraia branca..
ou a flor onde a abelha poisa.....
sugo a haste dos meus ...mas.....
mas sem efeito ...... o teu medo...
consegue ser maior...
adormeço no olhar nublado da madrugada
por fim sem que os ...mas .........
.....me impeçam de sonhar......
acordarei ainda com sede nas pestanas
e com os lábios secos ....
..onde não pernoitaram os teus beijos...

O BEIJO---CONTO PARA DRAMATIZAÇÃO

ERA UMA VEZ um rei e uma rainha que tiveram uma linda princesinha, a quem chamaram Aurora.
Para celebrar o seu nascimento, todas as fadas foram convidadas para madrinhas. Todas excepto uma, a fada má, que não foi convidada.
Esta, sabendo que todas as outras fadas tinham sido convidadas lançou-lhe uma maldição:
- Princesa Aurora, no dia em que fizeres 15 anos irás picar-te num fuso e morrerás!
Todos no castelo ficaram muito aflitos. Por sorte, havia uma fada boa que alterou o feitiço da fada má, de modo que a princesinha em vez de morrer, caísse num sono profundo. Este feitiço só seria quebrado ao fim de cem anos, quando um príncipe que por lá passasse se apaixonasse pela princesa e a beijasse.
O rei mandou destruir imediatamente todos os fusos e rocas que existiam no reino, para impedir que a sua filha se picasse.
Os anos passaram e a vida continuou agitada e turbulenta para Aurora...que sonhava com beijos...beijos quentes ...beijos molhados ou frios ou gelados....O BEIJO seu destino ...seu fim e de noite acordava como seria o beijo onde beijaria sua boca e a língua suava ...rodava louca ansiosa. Aurora queria uma ...Boca !
No dia do seu décimo quinto aniversário a priincesa, é estranhamente atraída para a floresta. Lá encontra uma casa abandonada e decide entrar…
Dentro da casa ela encontrou um objeto pontiagudo que não reconhecia.
- Que objeto tão estranho… que será?
Não resistindo à curiosidade pegou nele e acidentalmente picou-se! Imediatamente a princesinha cai num sono profundo.
A fada boa encontra a princesinha adormecida e leva-a para o castelo, deitando-a na sua cama real.
Entretanto no reino corre a lenda de uma bela princesa adormecida…
Um belo dia, um jovem e corajoso príncipe sabendo da lenda, dirige-se ao quarto da princesa e descobre a jovem mais bela que alguma vez vira, e louco de tesão beijou-a loucamente ......percorrendo o seu corpo
com a sua língua afiada ...inteira.... murmurando beijos retesando a espada....enterra-a numa boca ..nua e descarada enquanto os lábios roçavam a doce boca molhada..
Nesse momento, a princesa acorda, e então rebola Aurora nos braços do seu sonhado amante com cem anos de historia é o beijo em toda a sua gloria
Nos corpos as carícias, os beijos, os desejos;
a pele molhada de suor com cheiro de flor…
nos lábios imaginam-se sussurros, gritos,
gemidos esparsos, incontidos nas gargantas
que se fecham aumentando o silêncio na noite…
Palavrões soltos, entre espasmos violentos,
embriagam-se os amantes de tanto prazer.
Corações disparados, carícias ousadas,
espaços conquistados na pele nua.....
pelos gritos sentidos no interior da carne flamejante…
Sempre em busca de mais prazer.
Sentam-se tocam-se e soam orgasmos desesperados
.....magoados inesperados
Mesmo assim, na madrugada silenciosa e fria
abraçados, felizes e extenuados…param...
Mas na loucura da paixão, recomeçam tudo,
cada ato, cada entrega, no êxtase de loucos devaneios,
na confusão de abraços e beijos...febris de prazer.
Não há palavras......
....apenas a energia extremada do momento sublime,
superando o medo existente de desejar cada vez mais
os corpos ardentes, apaixonados pelo prazer.
E no reino do beijo eterno encantamento princesa e príncipe
juntam-se para sempre celebrando o beijo que lhes deu vida.
Margarida Cimbolini

acto

tacto
tatuo na minha pele
.......os teus sinais
mas são tantos...
caídos de tantos lados
tão confusos
.......que desvario. ...
.......
...tomaria nota numa folha de papel....
.......
mas desvio os olhos atordoada...
......
confio demais em mim....
prefiro morder uma haste de magnólia
e ficar quieta divagando sobre Platão...
acaba por ser muito mais simples....
........desisto..
afinal já escrevi cinquenta cartas de amor....
......
mas uma de cada vez....

bambu

bambu
o vento agita os bambus
tal como um vagido
tal como um gemido
o lago baixo e cintilante
e o balanço das cores
formam prismas com sons e odores
agitam.se sombras
mas não vejo a minha
Terão os bambus memória !!???
procuro a tua
devia estar mesmo ao lado
brilhavam teus olhos verdes
nas verdes aguas do lago
Sinto ainda a glória ..
a gloria do teu olhar amado
e a seda da tua pele..
e o roçar do teu lábio !
Agitam.se os bambus..
ouço os nossos tambores
Mas terão os bambus memória?!!!
faltas tu.....
ou fui eu que te esqueci...
pergunto ao lago..
Pergunto ao lago por ti......

estranho

a estranheza de ver os olhos vazados
na procura do infinito
a estranheza de ser só
a estranheza do corpo ...
esventrado pelo tempo
e o pó
o pó nas pálpebras..
nas mãos ..entranhado na pele
a longa estranheza de estar viva
desde o primeiro vagido
sempre estranha e com medo
o medo da estranheza..
...louca e sem sentido
a estranheza da multidão vil
enorme estranha e sem estranheza
num mundo concentrado no umbigo
a estranheza de um país parado
e tantas almas sem postigo
a estranheza dos sonhos fugidos
do tempo passado do presente inventado
de um futuro cada dia amanhecido
estranha forma de vida
...........................esta que trago comigo

não

não encontro a foz do teu corpo
nos rios da solidão
......
não vejo que as tuas mãos
busquem afagos
maiores que fugazes
penas de pavão
.......
mas vejo nos teus olhos
a fuga da andorinha
que vai e vem sozinha
e nos teus lábios
uma sede de ilusão
uma gaivota faminta
com medo da tempestade
se se avizinha
.......
uma alma que também é minha
um malogrado fulgor de compaixão
........
e uma presença nua
correndo descalça
e deixando na rua
uma acorrentada paixão
........
encontro escada
e beleza na quimera
aninho no degrau
.....
deitada...talvez á tua espera...

nós

Nós
Sou um novelo
Amargo
Sou um caroço
Bem mastigado
Amargo
Rolo no alcatrão
Sob o Sol duro
Endureço
Cresço
Enrolo
Metaformose
Como dói
Este nó
Novelo ou terço..
Caroço sem cruz
Sem berço
Perco -me na Luz
Enlouqueço

cantarei

Cantarei
com esta voz rouca
tão baixo
que serei ao meu canto
mouca
cantarei no cinza do fumo
na garganta da ideia
no cume do Planalto
cantarei sem peia
a canção da morte
no fim do espaço
cantarei cheia de espinhos
minha canção será cacto
cantarei e na minha voz baixa e rouca
há-de ferver -me na boca
das palavras o amor com que sinto
Será meu canto de mudança
sempre entre a morte e a vida..
......nesse hiato cantarei esperança..

noite

atravesso a noite
mas não sei
parar o tempo
ele engole-me
o corpo range
piscam os olhos
a mão insegura
puxa o dia
e adormeço

quinta-feira, 23 de março de 2017

POIS SIM

POIS SIM
pois sim ...seja eu pasto das horas
pois sim rouje.... nos meus lábios o carmin
pois sim ...... vem Simão.....
vem Maria ...Simião....
e tu Abel meu irmão
usa os caminhos do sertão
breve mil badaladas dão
e nem eu nem tu irmão
chegados somos ao limiar do sem fim
Vai a vida alta
breve a morte virá em sobressalto
e nem uma folha vai bulir no planalto
nem por ti nem por mim
e de um salto sem o menor aviso
sinal ou alto virá alguém dizer.nos ...sim
terá chegado o fim
Que se passará depois .....?
nem tu nem eu saberemos.....
mas o que teremos de certo
é que não foi nenhum de nós a dizer ....Fim ....

JÁ IA ALTA A LONJURA

Já ia alta a lonjura......

Cansada dormia

E eis que uma mão 
incerta ...escura....
me questiona da dimensão
desta loucura
de dormir se o sono me aparecer !

Praza a Deus que seja louca
seja meu esse esplendor
que faria eu numa vida oca
ainda que a cantar nosso senhor !!!!

Dormia como dorme a luz do dia...
Como dorme a noite ao alvorecer...

Quem diz ao odor da rosa que é dia....?
ou impede por ser noite a urze de crescer....

Praza Deus que não acorde um dia
e esteja morta sem saber...

Margarida Cimbolini

SEQUELAS

são sequelas
posso habitar nelas
devagar
primeiro fio é o amor
devagar
posso pegar elas e beijar

SE

E se um dia a vida
te trouxer saudade
escreve na folha do vento
no sorriso da tarde
que estivestes comigo
num pequeno apontamento
diz suave e terno
ao tempo
que precisas de abrigo
e à sombra da noite
virei
só para estar contigo ...
Margarida Cimbolini

TANTA LUZ

Tanta luz~~~~

e eu a ver luz
vindimada
quando tão pouca luz
se avizinha

Pobre..... pobre da ave cansada e louca
que vê o milho largado aos pardais

Mas mais pobre.... é essa pobre boca
que não adivinha nem conhece
só pla boca..... essa ave louca
e como bitola usa as demais.

Hão.de crescer as searas
há.de vir o vinho novo
e na pipa há.de regozijar.se o povo
mas o cantador há.de ser moço

e do rio em torrente virão águas
doces ..do açúcar das nascentes
que vão matar as sedes semeadas
por quem não vê ....não sabe...nem sente

e mesmo depois de provadas
deixa desviar as suas águas

ao sabor das mil águas que rebentam nas vagas
do mais pequeno Sol Nascente....

Margarida Cimbolini--22-03-2o17 oo.56m

in (começos do segundo )

terça-feira, 21 de março de 2017

BEIJIOS

Beijos
no calor da boca
....são beijos de luar
Beijos desta boca
Só beijada pelo mar
Beijos línguas loucas
a dançar
Beijos são trinados
são ternuras
vozes que querem amar
Beijos são suspiros do vento
São ciumes do mar..
São brilhos suaves..
.... de fogo a queimar
Salta o corpo de desejo
e os poros são dardos
nas coxas do ar
Beijos nozes moucas
a estalar
São anjos de riso ...
escarpins de veludo a passar
E num segundo voltam as bocas a beijar
São sedes sussurros fontes frescas e sedentas
de amar
Fojem brejeiros os beijos
quebram na rocha
São beijos de tocha
ardem até queimar
Resmas de beijos ...
...vindimados
Na fimbria do tempo
foge o vento...
Mas ss raparigas que vindimam sabem beijar
e beijos poucos
são de guardar
É o vinho novo
de sangue e de mosto
rebelde e de gosto
Que vive do beijo
e não perde ensejo de beijar
Margarida CImbolini

FOGO

Fogo.

Saem do fogo bocas
Nas achas desta fogeira
Ouço o som da madeira
Rindo de sereno ar
Gemendo até delirar
Saem do fogo bocas
Doidas por me beijar
Querem de mim o feitiço
Este fogo que eu atiço
Que trouxe d,além ..... do mar
Deixei lá uma princesa
que ficou noiva de mim
Presa no meu olhar
Mandei fazer ao Santeiro
um santo para lhe levar
Vim aqui à floresta
antes até da sesta...
Verdes versos a queimar
E trouxe o meu coração
E de incenso uma mão
E oiro que achei no mar
Está agora o santo pronto
Feito em madeira de altar
Casado no nevoeiro
Traz um cajado na cinta
Mas não o posso levar
Do oiro tenho poeira
O coração já o dei
e do incenso preciso...
Pois que se foi o siso..
Não tenho como voltar
Ao passar vi um menino
que malhava numa eira
ou seria a tal sereia
que me era desleal ?
levo o santo e a madeira
e o coração que é meu
ou que vá ele sozinho
que de penhor fico eu

A HARMONICA DE VENTO

a harmónica de vidro
o tempo
consciente
contido
no som
no som sem ruído
indecifrável
inevitável
música pura perfeita
no encaixe mais belo
na poesia maior
mais fina
o vidro ..água..a mão...
nas taças mais vivas
da criação

a escada da vida

Escada da vida --- Em resposta ao desafio do João Dordio
quase me perco amor
nesta escada que me enrola
subo e desço com temor
escada da vida rola
neste degraus que vislumbro
conto na vida outros tantos
aqueles que desci sem rumo
aqueles que cobri com mantos
sempre subindo e descendo
quando em curva descendente
subia chorando sempre
mas se há a vida me rendo
ria na escada contente
subia de saltos altos
saltitava o coração
nesses anos tão incautos
descia no corrimão
mas alta é agora escada
pois que caí muitas vezes
fui muitas vezes amada
Agora descanso ás vezes
Escada de pedra perdura
talvez mais tempo que eu
enquanto esta vida dura
receio não ter olhar teu
in,alinhavos de amor
inédito
FOTO DE MARGA CÉGON

há pouco

há pouco
mesmo à tardinha
senti um perpassar leve
leve como um susurro
tão leve....
serias tu meu amor
ou seria um passarinho..


Margarida Cimbolini
se fores

não leves um poeta
ninguém como ele sorri e mente
e mente porque sente
sente tudo no eixo de si
todo o poema tem um eu
e o eu quase omnipotente
nada tem ..nada sabe...mente
e sabe e consente...

não leves um poeta
não lhe dês palavras
dá-lhe a lógica ..a razão e as favas
para que não bata o dente

para que se confunda dá-lhe Platão
e um verso incongruente
com rectórica e paixão
se fores
nunca leves um poeta

vai baralhar.te ...aturdir.te
comer.te as letras
sugar.te o tutano
moer.te a cabeça

e no fim ainda pagas perdas e danos
se fores não leves um poeta

A MÃO

A MÃO 

a mão

prenhe estava minha mãe
e já no seu ventre
era eu a mão
a mão crispada nas veias
sugando amor
poros abertos em esplendor
no meu minúsculo corpo
cresceram desabotoando a carne
as mãos
cada mão com cinco dedos
nasci onde devia
no corpo que se me ofereceu
aquele a quem chamo meu
vivi onde me quiseram
nunca quis o que me deram
mas fiz de mim ,,a mão,,
a que me alimentou
a que me rasga a carne
a que me desafia
a que me ama e meus linhos fia
a mão que me acaricia
a mão marionetta que ri de mim
a minha mão de asceta
onde me encosto e penso
caberá minha mão
nessa mão que me assombra...
a minha mão de sombra
que me traz a madrugada
que me faz rainha e me torna escrava
minha mão de mar minha mão de terra
Prenhe estava minha mãe e já no seu ventre eu era a mão...


,,leitura de imagem,,
Margarida Cimbolini

PEDAÇO DE CETIM

PEDAÇO DE CETIM 

Pedaço de cetim
Ruela suburbana
Beco de quem dá á luz em casa
num leito duro e estreito
quase na escuridão
fraca é a luz de quem acende velas
e fica sem sono perdendo os olhos nelas
na chama de algum calor
no recato da alegria
com pudor
de estar alegre ou triste.
Sem saber que existe!


o
pedaço de cetim
encontrado na rua e mil vezes beijado
afagado ,cerzido ,fiado ,almejado...
guarda-o na mão
enquanto esforça o corpo
a parir
filho de ninguém ,filho da mãe...
a parteira de vou roufenha
........diz-lhe que prenda a guedelha
há muito pentelho na....jelha..mal rapada...
....venha de lá o fedelho !...carago !
e vem chegando...berrando ..danado..
...nasceu mais um filho da puta.....
mais um prá andar aí esfaimado ........
e a velha ...escancara a porta.....despeja a água suja..
no caminho calado....a cidade desperta...
e Sol entra pela porta aberta...


Margarida Cimbolini'

POESIA

POESIA
Poesia
Terra serena
Útero de Minha mãe
Sítio onde o odor da açucena
se junta à poeira dalém
Além de mim...Tudo...
Àgua onde mergulho
... e ouço o meu coração
Terra de milho maduro
de onde sai o meu pão
Poesia
Húmus da minha aurora
Único Sol que conheço
Livro das minhas horas
Semente do meu agora
Rosa negra de paixão
Paixão qUE vivo acordada
Paixão de mim arrancada
Paixão de amor e saudade
Poesia realidade
Coroa de toda a palavra
Azeite Mel e verdade
Vagina não violada
Devassa da castidade
De ti faço minha raça
Minha bandeira e brasão
Lúcida insanidade
Por ti aceito a desgraça
de estar onde me puseram
AltIva sensualidade
de ser a flor que fizeram
Nenufar da sociedade
flor sem raiz na terra
erguida no pavor dos dias
crescida no pavor das noites
Amàvel flor sagrada
Símbolo da eternidade
Poesia por dentro eivada
fizeste de mim vida tua
Cobre -me de sonhos de anjos
de tua lira sagrada
Rouba -me esta pele nua
Leva esta ossada dura
Quero ser nenúfar de arcanjos..!
Margarida Cimbolini,

segunda-feira, 20 de março de 2017

IDA

IDA
sou filha de gente morta
reescrevo esta ânsia viva de ser gente
circunflexas as palavras
dão voltas singulares
no tempo reencontram ..híbridas
....e vibrantes.....
sempre um veiculo onde poisar
.graça esta de ser filha da graça.
Pesada herança que me deixa tonta
e quebrantada..
sempre a puxar pelo tempo....
O dia a noite o Sol a Lua...
mistério inexorado onde me afundo..
A vida a morte e eu...
Este vagabundo eu que me persegue
Este singular modo de ser gente
onde sofro passado e presente
Empurrando o futuro com unha e dente..
Alegria vã de algumas horas nunca completa..
nunca contente....
Mais ..mais e mais mais amor ! um céu maior!
uma estrela mais perto....um som mais puro...
Um poema que resume de verdade !
uma verdade que encha o mundo....
E me desperte...... mas onde essa realidade
..real e funda e mordente . ?......esta não..
Outra diferente....dimensão da morte e da vida..
Dentro há uma ....antiga mas perdi-me..
Poetas de sempre...ajudem ......
tatuem na minha testa a palavra......ida
Margarida Cimbolini

sábado, 18 de março de 2017

E
e procurei
eu senhora das trevas
a noite nas veias
eu amante da lua
piscava os olhos de Sol.
e não dormia
não te encontrava
e não sabia bem o quê
nem o que precisava
queria o fermento dos teus olhos
queria um beijo doce e quente
que me fizesse sentir gente
morria e vivia feliz e doente
num contentamento descontente
numa nova e louca rebeldia
subia e descia
numa escala entre o cinza
e o vermelho ardente
ia correndo na cascata da lua
e na água transparente e pura
via um amor de adolescente
e sem saber como tratá-lo confusa
punha-me a inventar o Sol poente
banhada em rios de ternura
embriagada em seiva ardente
mulher madura sentia
de mim para mim tanta doçura
que de pensar em dá-la
fugia do presente
em arroubos de candura
como se fosse algo eterno....
era já tua eternamente........
(in lirismo consentido )

E

e

e acordei cedo muito cedo
em louca ansiedade
em ânsia desmedida
prenhe de amor e de saudade
d,alguém que mal conhecia
era assim criança alada
voando num quase nada
do muito que queria
quis escrever e não tinha palavras
o mundo todo era pequeno
madrugada dormida e cantada
num lirismo que desconhecia
e onde era rainha e fada
num sonho que sonhava acordada
e de que que nada sabia
corria no labirinto da quimera
perdida e desajeitada
nada tinha e duvidava
mas sentia.......

Margarida Cimbolini
(in lirismo consentido )

quinta-feira, 16 de março de 2017

carta fechada

carta fechada
foge
corre
a guerra acabou
a criança morreu
o cano
da espingarda
esse
que viola e mata
ficou
a Somália enegrece os céus
o bicho
bicho filho de homem
espera
debaixo da esteira
o teu medo
és tu
foge de ti
trazes cheiro a mulher
onde a onça
phodeu

traz

traz
traz-me o tempo
todo o tempo que guardas
na algibeira
o tempo que metes
nesse teu bolso fundo
enquanto eu varro o mundo
e só apanho poeira
dá-me o tempo
a mim cão vagabundo
que não tem eira nem beira
e traz-me um pau de alcaçuz
e um mocho e alecrim
e rosas bravas.....carmim
....rompe o tempo .......
rompe esse tempo por mim...
e traz-me mirra ,incenso, oiro
e outro corpo .......mas de coiro
que este já me não serve
está gasto de ir fundo e fundo
.......e vir coberto de neve
gastou-o o pó do mundo...
e mais que um almocreve
traz-me tempo ...uma mão cheia
e uma cabra que berre
e traz-me um chafariz ...um coreto
.....uma perdiz traz -me.........
,,,,,,,,,,,,,,, também uma lebre
traz-me mais tempo e alento
...e um coração a bater lento
e uma cabeça mais leve.........
mas se estás sentado há espera
nesse teu monte de estrume
........há espera de me queimar
...................e de me rogar queixume
e de me dar aos lacraus.....
....então arreda daqui que tenho a vida pesada
e uma vassoira grande que também varre a queimada
e no céu tenho um arcanjo e na mão tenho uma espada..

FASCÍNIOS

fascínios
são penhascos que se erguem
e tropeço
são veias de sangue
são brilhos de lua
são longos sonos que me fazem sua
espinhos de sons agudos
onde ergo os meus olhos mudos
pois que a voz me escasseia
passos onde caio e demoro
onde me debruço e me encanto
e por fim cansada me levanto
e não estou nunca em casa nunca lá moro
passo.....estou de passagem
mas porquê o abrir desta vagem
se torna assim duro?
conheço eu mal as trevas ?
como se mesmo assim perduro...
são os abismos sempre a minha escolha
serão escolha ou caminho..
pois se só abismados encontro rindo !
é.......é então destino..........não.....
são as suas beiras arenosas agrestes
que cada dia transformo em rosas
e que me servem de cordas
ou são as bordas onde me agarro
................que se fazem rosas...
Margarida Cimbolini

gaiolas

Gaiolas
Não gosto de gaiolas...
Cheias ou vazias
Ocas as gaiolas...pequenos pedaços de mundo
Onde se vivem dramas....
de aves migrantes
Cegonhas...
altaneiras no seu ninho
A ultima gaiola que conheci..foi o útero
de minha mãe
Era quente e molhado
Fechado...
Feito para a metamorfose da lagarta...
Teria sido melhor cegonha..
ou cisne
Percorri o caminho da toupeira
No teu corpo mãe !
Minha mãe!
Onde estarias..
Nesses casulos....
...nesses misterios..
....onde eu não cabia.
..lado a lado vidas singulares
Fui a larva no teu ventre..
e nunca mais entrei
em gaiolas...
A tua vagina libertou-me.....
E nunca mais fui topeira....

NESSE TEMPO

no tempo
em que eu guardava o vento
chamava-me o poema
sua

as pombas traziam as penas
os anjos velavam

dos montes vinham verdes sombras
e saltava dos planaltos
onde a sombra sumia

não havia noite
não havia dia....a palavra silvava
o poema dormia

Nesse tempo era o poeta o mais alto

Aquele que sem escrever...escrevia !

Nesse tempo
tudo era ser e fervia...
Era tudo poesia.......

SEGREDOS

Segredos
são medos
enrredos ...torpedos
fragatas gigantes
são cascatas...montes
e flores de lis
Segredos anões e gigantes
Segredos de amor
são sonhos são dor
são beijos de amantes...
Segredos mentiras..
acoitam farsantes...
com bailes de rimas...
suaves galantes
Os rostos são mudos..
os dedos são frios !
as palavras mansas
os olhos risonhos
reversos amargos ..
de frustados sonhos !
Segredos são ondas
à luz do luar
na noite são risos.
de dia pecados
de noite são brilhos
e de dia andrajos
Segredos são anjos!
pernoitam na alma...
são segredos brancos..
com cheiro a jasmim !
nem eu sei os segredos que habitam em mim....

quarta-feira, 15 de março de 2017

POUSOS

Pousos
tombam grossas
longas e tronchudas
lágrimas ou tranças 
tombam sós.
Guarda.me uma gota
uma gota dos seus
lábios
guarda.me um silêncio
já que as palavras
fugiram
e um pouso
na retina dela
e um perpassar de vento no cabelo dele
hei.de chegar
o sangue não perdoa !
das rosas que pari
semeei cardos
das que paris.te
recebi silvas
no peito tenho madres
madressilvas
mas hei.de chegar !
sangue não perdoa
a vida corre em tudo
até no que dói
mesmo no que magoa....
nada é à toa..
o dia há. de chegar
eles vão saber quem é
cada um no seu pouso....
no silêncio..
nas praias do tempo
na esqina da lua
à hora da madrugada....
vamos ser todos nós !
Margarida Cimbolini

FOI LÁ

foi lá
na areia da praia
no canto do mar
no brilho da estrela
.daquela estrela.
e no azul do céu
que te vi
era eu menina
e estendia a mão
pra tocar no céu
e tecia brincos de princesa
dançando com Imanjá
e tu estavas lá
eras tu menino
a tocar guitarra
na cor do mar
eram cordas de prata
tangendo o amor
e eu estava lá
no teu abraço de calor
Era ali o mundo
era ali a vida
porque tu e eu
....estávamos lá

SAUDADES

Saudades
encasulo as hastes
dAS saudades
entre os cabelos emararanhados

Frémitos de ti
escorrem ainda no meu corpo
são conchas fechadas
pérolas que me acetinam a pele

Bagas de azevinho
bailam nos lábios
ressuscitam memórias de amor
 . saudades.
imaturo olhar cansado
que revê o passado
que caminha ao invés do tempo
e ri de mim

Espalho na areira
esta linda saudade ...feia...

Escondo.me do Sol !
Tapo o luar com a peneira
Margarida Cimbolini

terça-feira, 7 de março de 2017

NO VALE DO AMANHECER

No vale do amanhecer
conhece os meus olhos nus
Tacteia com teus dedos breves
os poros
esses que abris-te
no sonho
mesmo à beira da lua
À sombra de uma cruz
está o meu corpo de serpente
esse de mulher antes de ser gente
Trago escamas no regaço
dou-te uma mão cheia de pirilampos
acharão vaga de lumes em ti
Procura' no vale do amanhecer
forma difusa de mim
sou essa que hei-de ser
sou pecado
Maçã e serpente..
..o agora de ontem de hoje e da manhã
onde nasci
Mulher de ti
Eras tu favo de mel
irmão de Caim..
Oh !
como te amei !
ainda lá estou..
nas iluminuras antigas
Procura.me no vale do amanhecer
saberás quem eu sou...mulher serpente
Creatura criada e nunca nascida
Espero.te