terça-feira, 21 de março de 2017

A MÃO

A MÃO 

a mão

prenhe estava minha mãe
e já no seu ventre
era eu a mão
a mão crispada nas veias
sugando amor
poros abertos em esplendor
no meu minúsculo corpo
cresceram desabotoando a carne
as mãos
cada mão com cinco dedos
nasci onde devia
no corpo que se me ofereceu
aquele a quem chamo meu
vivi onde me quiseram
nunca quis o que me deram
mas fiz de mim ,,a mão,,
a que me alimentou
a que me rasga a carne
a que me desafia
a que me ama e meus linhos fia
a mão que me acaricia
a mão marionetta que ri de mim
a minha mão de asceta
onde me encosto e penso
caberá minha mão
nessa mão que me assombra...
a minha mão de sombra
que me traz a madrugada
que me faz rainha e me torna escrava
minha mão de mar minha mão de terra
Prenhe estava minha mãe e já no seu ventre eu era a mão...


,,leitura de imagem,,
Margarida Cimbolini