domingo, 5 de março de 2017

ARRAIAL

ARRAIAL
os tambores tecem suas cores
no ar macio
há um pássaro azul sugando o tempo
dos sugados
chega-me o lamento
tecem os tambores
dores amarguras esquecimentos
são os povos lutando
largos olhos olhando dentro
nas ruas coram as pedras
também elas vendidas
pela ganancia desse vampiro sedento
e os morros os canaviais os vales
são corridos pelo vendaval
são os tempos das lutas das batalhas
abre-se o eu em valente plural
como ignorar o povo
se o ouço chorar
sereno mas rouco
como manso animal uivando
roubado pelo chacal
é o meu povo
e eu que povo não tenho
nem bandeira .nem curral.
ergo os olhos
já o pássaro azul mudou a cor
agora é cinzento
cor de metal
.e não voa . caíram as penas. uma. a uma.
cheio de penas está meu país
e eu que não tenho país
.nem sei nada. deste bem. nem deste mal.
.ouço os tambores. e as penas . deste pequeno arraial.
margarida cimbolini
Gosto
Comentar